7 em cada 10 carros no Brasil andam sem seguro, e o preço voltou a subir em 2026

Levantamento da CNseg mostra que só 29% da frota nacional tem cobertura. No mesmo ano em que o reajuste voltou, entenda o que encareceu e o que dá para fazer antes de renovar.

Categoria: Seguro Auto · Por Equipe MR2 · Publicado em 2026-08-04

Arte com dez blocos, sete apagados e três acesos, representando que só 3 em cada 10 carros do Brasil têm seguro

O Brasil tem 63,3 milhões de automóveis, e só 18 milhões deles têm seguro. É o que mostra o levantamento da CNseg, a confederação que reúne as seguradoras do país, divulgado em julho de 2026. Na conta redonda: 29% da frota está protegida, e 7 em cada 10 carros circulam por aí sem nenhuma cobertura.

O dado chega num ano em que o seguro auto voltou a ficar mais caro, depois de três anos seguidos de queda no preço. A combinação das duas coisas explica muita conversa difícil que a gente tem tido no balcão.

O que o levantamento da CNseg mostrou

Pela primeira vez a confederação traçou um retrato de quem contrata seguro no Brasil. Os números mais relevantes para quem está decidindo agora:

  • Seguro auto: 29% da frota nacional tem cobertura, cerca de 18 milhões de 63,3 milhões de veículos
  • Seguro residencial: apenas 17% das casas brasileiras estão protegidas
  • O Sudeste concentra 53% dos segurados de automóvel do país
  • A classe C é a maior fatia dos segurados de auto, com 41%, seguida da classe B com 24% e da classe D com 23%
  • A faixa de 36 a 45 anos responde por 29% das apólices de auto

Por que o preço voltou a subir em 2026

Uma análise publicada pelo CQCS em julho aponta reajustes médios entre 4% e 8% neste ano, chegando a 10% nos casos mais pesados. O que joga um perfil para o topo dessa faixa é a soma de três coisas: qual carro é, quem dirige e onde ele dorme. E a razão do aumento não é a que a maioria imagina. Não é margem de seguradora. É o preço de consertar.

  • Peça importada. Boa parte do que entra num reparo vem de fora, então o dólar e a fila da importação chegam ao orçamento da oficina antes de chegar à sua apólice.
  • Eletrônica embarcada. O funileiro resolve a lataria, mas quem devolve o carro funcionando é quem tem equipamento para reprogramar sensor, radar e câmera. Esse serviço custa mais e tem menos gente no mercado que faça.
  • Frequência de ocorrências na cidade. Quanto mais roubo, furto e colisão acontecem numa região, mais cara fica a apólice de quem mora nela. É estatística, não é implicância com o seu bairro.

Hoje o para-choque não é só plástico. Dentro dele há sensor, radar e câmera. Trocar a peça é a parte barata da conta; calibrar o conjunto é onde ela cresce.

Equipe MR2

Os números oficiais ajudam a dimensionar. Segundo o boletim da Susep, o órgão que fiscaliza o setor, o seguro de automóvel arrecadou R$ 25,41 bilhões de janeiro a maio de 2026. É um crescimento de 5,82% em valores correntes, mas de 1,48% quando se desconta a inflação. Ou seja: o setor arrecada mais porque segura mais carros e porque consertar ficou mais caro, e não porque a margem disparou.

A conta que quase ninguém faz antes

Quando o seguro sobe, a reação natural é pensar em cancelar ou em cortar cobertura. Só que o mesmo encarecimento do reparo que empurrou o prêmio para cima também empurrou para cima o valor do prejuízo de quem não tem seguro. Quem sai da apólice não fica livre do custo: fica exposto a ele por inteiro.

E tem um detalhe que pega muita gente de surpresa: o dano ao terceiro. Bater no carro do vizinho é um problema; bater no muro, no portão ou na fachada de uma loja é outro, e nesses casos a conta costuma ser bem maior do que a franquia que a pessoa estava tentando economizar.

O que dá para fazer antes da renovação

  1. Peça a renovação com 30 dias de antecedência. Em cima da hora sobra pouco espaço para comparar.
  2. Reveja o perfil declarado. Garagem, uso do carro e quem dirige mudaram? Isso mexe no preço de verdade.
  3. Compare a franquia, não só a mensalidade. Prêmio menor com franquia alta pode sair caro no primeiro sinistro.
  4. Confira o limite de danos a terceiros. É a cobertura que mais evita prejuízo grande e a que mais gente deixa no mínimo.
  5. Pergunte por rastreador e outros dispositivos. Em algumas seguradoras eles derrubam o valor.
  6. Cote em mais de uma seguradora. A mesma pessoa, no mesmo carro, recebe preços diferentes de cada uma.

Perguntas frequentes

Se o seguro subiu, vale a pena trocar de seguradora?

Às vezes sim, mas não é automático. Antes de trocar, vale checar se a cobertura e a franquia da proposta mais barata são realmente equivalentes. É comum a diferença de preço estar explicada por uma cobertura a menos.

Meu carro é antigo e simples. Ainda compensa segurar?

Depende menos do valor do seu carro e mais do estrago que ele pode causar. Mesmo um carro popular pode bater num veículo caro ou num imóvel, e é aí que a cobertura de danos a terceiros faz diferença.

Acionar o seguro aumenta o preço na renovação seguinte?

O histórico entra no cálculo, então pode influenciar. Mas deixar de usar uma cobertura que você já pagou raramente compensa. Fale com o corretor antes de decidir pagar do próprio bolso.

Quanto tempo demora um sinistro do começo ao fim?

Varia com o tipo de ocorrência e com a seguradora, e o que mais atrasa costuma ser documento faltando. Aviso feito logo e documentos completos encurtam bastante o caminho até a vistoria.

Fontes

  1. Levantamento sobre o consumidor de seguros no Brasil (cobertura da frota, das residências e perfil do segurado) · CNseg, noticiado pelo CQCS · 13 de julho de 2026
  2. Levantamento aponta baixa cobertura de seguros no Brasil · Revista Apólice · julho de 2026
  3. Reajuste do seguro auto em 2026: por que o custo do reparo virou o centro da conta · CQCS · 14 de julho de 2026
  4. Boletim do mercado supervisionado até maio de 2026 (arrecadação do ramo Automóvel) · Susep, noticiado pelo CQCS · 15 de julho de 2026
  5. Setor de seguros projeta crescimento de 5,7% em 2026 e arrecadação de R$ 808 bilhões · CNseg · 15 de abril de 2026

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