Conserto de carro sobe 14,51% em 12 meses na Grande Vitória, a maior alta entre as 16 áreas do IPCA; seguro auto sobe 4,76% em setembro

Pelo IPCA de setembro de 2026, divulgado pelo IBGE em 9 de outubro, a alta do conserto em 12 meses na Grande Vitória (14,51%) ficou praticamente empatada com a de Recife (14,50%) e foi quase o dobro da alta do Brasil (7,50%). No seguro auto, a região teve a maior alta de setembro entre as 16 áreas pesquisadas.

Categoria: Seguro Auto · Por · Publicado em 2026-10-20

Duas pilhas de caixas de papelão lisas numa bancada de oficina, uma com quatro caixas e a outra com duas, e um carro azul suspenso no elevador, desfocado ao fundo, sob a luz de fim de tarde que entra pela porta, representando a alta do preço do conserto de carro em 12 meses na Grande Vitória, quase o dobro da alta do Brasil.

O preço do conserto de carro subiu 14,51% em 12 meses na Grande Vitória, de outubro de 2025 a setembro de 2026. Foi a maior alta entre as 16 áreas pesquisadas pelo IPCA, o índice oficial de inflação, praticamente empatada com a de Recife (14,50%), e quase o dobro da alta do Brasil (7,50%). Os números são do IBGE, divulgados em 9 de outubro de 2026.

No mesmo levantamento, o seguro voluntário de veículo, nome que o IBGE dá ao seguro auto, subiu 4,76% em setembro na Grande Vitória, a maior alta do mês entre as 16 áreas (no Brasil, 1,57%). Em 12 meses, o seguro subiu 3,75% na região e caiu 1,95% no país.

São médias de preço pesquisadas pelo IBGE, e não o reajuste de cada apólice. Para quem vai renovar o seguro do carro, são um bom motivo para olhar, além do preço, as cláusulas de oficina e de peças, que seguem regras da Circular SUSEP 639, de 2021.

Os números de setembro na Grande Vitória

A Grande Vitória é a única área do Espírito Santo no IPCA, que acompanha os preços em dez regiões metropolitanas e seis cidades. A tabela reúne três itens ligados ao carro e o índice geral, que mede a inflação como um todo.

Item do IPCASetembro de 2026De janeiro a setembro de 2026Em 12 meses, até setembro de 2026
Conserto de automóvel, Grande Vitória1,19%10,11%14,51%
Conserto de automóvel, Brasil0,70%7,95%7,50%
Seguro voluntário de veículo, Grande Vitória4,76%4,71%3,75%
Seguro voluntário de veículo, Brasil1,57%0,77%-1,95%
Automóvel usado, Grande Vitória-2,21%-2,38%-4,83%
Automóvel usado, Brasil-0,20%-1,22%-2,38%
Índice geral, Grande Vitória1,08%4,28%4,91%
Índice geral, Brasil0,82%3,95%4,58%

Fonte: IBGE, IPCA (SIDRA, tabela 7060), divulgado em 9 de outubro de 2026.

No conserto, o destaque é o acumulado: em 12 meses, a Grande Vitória ficou em primeiro lugar, 0,01 ponto percentual à frente de Recife. De janeiro a setembro, foi a terceira maior alta, atrás de Brasília (12,97%) e de Recife (11,49%). E a alta não veio de um mês só: de outubro de 2025 a setembro de 2026, o conserto subiu em 10 dos 12 meses na região, pela conta da MR2 a partir das variações mensais do IBGE.

A alta também vem de antes. Nos 12 meses até setembro de 2025, o conserto já tinha subido 10,96% na Grande Vitória, contra 9,65% no Brasil. Em dois anos, de outubro de 2024 a setembro de 2026, são cerca de 27% na região e cerca de 18% no país, pela conta da MR2 a partir dos acumulados do IBGE (um período se acumula sobre o outro, e a conta não é uma soma).

No seguro, os 3,75% da Grande Vitória em 12 meses só ficaram atrás de Goiânia (10,48%). Já o carro usado foi na direção contrária: caiu 4,83% em 12 meses na região, contra 2,38% no Brasil.

O que o IPCA mede, e o que ele não diz sobre a sua renovação

O IBGE compara os preços de uma cesta de produtos e serviços de um mês com os do mês anterior, para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.

Uma alta de 4,76% no índice não quer dizer que toda renovação vai subir 4,76%. Segundo a SUSEP, o preço leva em conta as respostas do questionário de avaliação do risco, com fatores como a idade e o tempo de habilitação do principal condutor, o uso do veículo, a região onde ele circula e os dispositivos de segurança, pelos critérios de cada seguradora.

O índice do seguro também oscila muito de um mês para o outro. Na Grande Vitória, subiu 6,63% em fevereiro de 2026, caiu 3,53% em junho, caiu 3,88% em agosto e subiu 4,76% em setembro. Um mês sozinho diz pouco sobre a tendência.

Como o seguro virou para alta em 12 meses

Até agosto de 2026, o seguro acumulava queda de 7,14% em 12 meses na Grande Vitória. Um mês depois, o acumulado era de alta de 3,75%. A virada tem duas partes, e só uma delas é a alta de setembro.

O acumulado em 12 meses é uma janela que anda: a cada mês, entra o mês novo e sai o mesmo mês do ano anterior. Em setembro de 2025, o seguro tinha caído 6,24% na região. Quando essa queda saiu da conta e entrou a alta de 4,76% de setembro de 2026, o acumulado mudou de sinal. É o chamado efeito de base.

Ou seja, a virada do acumulado não veio só da alta de setembro: parte vem de uma queda forte que deixou de ser contada. No Brasil, o efeito foi parecido: com a saída da queda de 5,98% de setembro de 2025, o acumulado passou de -9,24% em agosto para -1,95% em setembro de 2026.

O comunicado do IBGE sobre setembro não detalha o que movimentou o preço do seguro na região.

Peças e oficina: o que a apólice precisa informar

Quando o conserto fica mais caro, duas cláusulas ganham peso: onde o carro pode ser consertado e com que tipo de peça. As duas seguem a Circular SUSEP 639, de 9 de agosto de 2021, a norma principal do seguro de automóvel. Pela base de normas da SUSEP, consultada em 19 de outubro de 2026, ela segue vigente, sem mudança nos artigos sobre peças, oficinas e perda total.

Oficina. Na livre escolha, o segurado escolhe a oficina; na rede referenciada, escolhe entre as oficinas indicadas pela seguradora. O contrato precisa prever uma das duas formas ou as duas, e a apólice precisa dizer qual vale (arts. 12 e 15, inciso VII). Na rede referenciada, a seguradora precisa manter no site a lista atualizada das oficinas, por plano de seguro, e avisar em destaque, na proposta e no contrato, sobre a possível perda da garantia de fábrica se o conserto for feito fora da rede autorizada da montadora. Se a rede mudar muito, a seguradora precisa avisar quem só pode consertar na rede e, no sinistro, manter o mesmo padrão de atendimento, podendo indicar uma oficina de fora da rede, sem custo a mais (art. 12, parágrafo 3º).

Peças. A norma admite peça nova, original ou não, feita no Brasil ou importada, desde que siga as especificações técnicas do fabricante (art. 13), e peça usada, dentro da lei do desmonte de veículos e das regras técnicas do Contran, o Conselho Nacional de Trânsito (art. 13, parágrafo 1º). O contrato precisa dizer em quais partes do carro cada tipo de peça pode entrar (art. 13, parágrafo 2º), e a proposta e a apólice precisam informar com clareza o tipo de peça usado no conserto, quando não é perda total (art. 15, inciso IX).

Orçamento. No sinistro, a seguradora precisa dar ao segurado acesso ao orçamento do conserto, com todas as peças que serão usadas, identificadas por tipo: novas ou usadas, originais ou não. Se entrar peça usada, a lista precisa trazer a procedência, as condições e a garantia de cada uma (art. 13, parágrafos 3º e 4º).

Na renovação, é comum olhar primeiro o preço. A cláusula de peças e a de oficina ficam para depois, e são elas que dizem onde o carro vai ser consertado e com que peça ele volta. Com o conserto subindo, vale ler as duas com a mesma atenção.

Equipe MR2

Antes de renovar: o que conferir

  1. Compare preço com a mesma cobertura. Peça as cotações com a mesma franquia e o mesmo tipo de oficina e de peça, que a proposta precisa informar. Proposta mais barata com outra franquia ou outra regra de oficina ou de peça não é a mesma apólice.
  2. Veja se a apólice é de rede referenciada ou de livre escolha. Se for de rede, confira no site da seguradora a lista de oficinas do seu plano e veja se há alguma perto de onde você mora ou trabalha.
  3. Carro na garantia de fábrica? Leia o aviso em destaque. Na rede referenciada, a proposta precisa avisar sobre a possível perda da garantia se o conserto for feito fora da rede autorizada da montadora. Se isso pesa para você, pergunte antes de fechar se a rede do plano inclui oficinas autorizadas da montadora.
  4. Leia a cláusula de peças. Ela diz se o conserto usa peça nova original, nova não original ou usada, e em quais partes do carro cada tipo pode entrar.
  5. Confira as respostas do questionário de perfil. Pela Circular SUSEP 639, elas ficam na proposta e na apólice. Mudou a região onde o carro circula, o uso do carro ou o principal condutor? Segundo a SUSEP, esses pontos entram no preço. E pela Lei 15.040/2024 (art. 14), em vigor desde 11/12/2025, a mudança que aumente o risco de forma relevante precisa ser comunicada à seguradora assim que você souber; procure o corretor ou a seguradora para registrar a mudança na apólice.
  6. No sinistro, peça e guarde o orçamento. Confira se as peças listadas, com o tipo de cada uma, batem com a cláusula de peças da apólice, e guarde o orçamento com as fotos e o protocolo do aviso.

Perguntas frequentes

Quanto subiu o seguro de carro na Grande Vitória em 2026?

O seguro de carro subiu 4,71% na Grande Vitória de janeiro a setembro de 2026, segundo o IPCA do IBGE (no Brasil, 0,77%). Só em setembro, a alta foi de 4,76%, a maior entre as 16 áreas pesquisadas; até agosto, o ano estava praticamente estável (-0,05%). Em 12 meses até setembro de 2026, a região subiu 3,75%, e o país caiu 1,95%. É a variação média do preço, e não o reajuste de cada apólice.

Por que o conserto de carro ficou mais caro na Grande Vitória?

O IBGE não aponta a causa: ele mede a alta do conserto, que foi de 14,51% em 12 meses até setembro de 2026 na Grande Vitória. É quase o dobro dos 7,50% do Brasil, com alta em 10 dos 12 meses, pela conta da MR2 a partir das variações mensais do IBGE. Nos 12 meses até setembro de 2025, já tinha subido 10,96% na região.

A seguradora pode usar peça não original ou usada no conserto?

Pode, se a apólice prever. A Circular SUSEP 639/2021 admite peça nova, original ou não, que siga as especificações técnicas do fabricante, e peça usada, dentro das regras do desmonte de veículos e do Contran. O contrato diz em quais partes do carro cada tipo de peça pode entrar (art. 13, parágrafo 2º).

Tenho direito a ver o orçamento com a lista de peças?

Sim. Pela Circular SUSEP 639/2021 (art. 13, parágrafos 3º e 4º), a seguradora precisa dar ao segurado acesso ao orçamento do conserto, com todas as peças identificadas por tipo: novas ou usadas, originais ou não. Se houver peça usada, o orçamento traz também a procedência, as condições e a garantia dela.

Conclusão

O IPCA de outubro sai em 12 de novembro de 2026, pelo calendário do IBGE, e os números vão mudar. Até setembro, o conserto subiu na Grande Vitória em dois períodos seguidos de 12 meses, sempre acima da alta do país. Para quem vai renovar, a dica é comparar o preço junto com as cláusulas de oficina e de peças, que são as que contam quando o carro entra na oficina.

Fontes

  1. SIDRA, tabela 7060: IPCA por subitem: conserto de automóvel, seguro voluntário de veículo, automóvel usado e índice geral, com variação no mês, no ano e em 12 meses para o Brasil e as 16 áreas, e séries mensais, no ano e em 12 meses de setembro de 2025 a setembro de 2026 para a Grande Vitória e o Brasil (consulta pela API do SIDRA em 19/10/2026) · IBGE · 9 de outubro de 2026
  2. IPCA fica em 0,82% em setembro: índice geral por área (Vitória com a maior variação de setembro, 1,08%, e 4,91% em 12 meses; Brasil com 4,58%) e áreas e famílias pesquisadas (lido no navegador em 19/10/2026) · IBGE · 9 de outubro de 2026
  3. Calendário de divulgações, API do serviço de dados: IPCA de outubro com divulgação marcada para 12/11/2026, a mesma data que o comunicado de setembro indica (consulta em 19/10/2026) · IBGE · 19 de outubro de 2026
  4. Circular SUSEP nº 639, de 9 de agosto de 2021: regras do seguro de automóvel, com os arts. 10 (indenização integral), 12 (oficinas, incisos I e II e parágrafos 1º a 3º), 13 (peças e orçamento, caput e parágrafos 1º a 4º) e 15, incisos VII, VIII e IX (o que a proposta e a apólice informam, inclusive as respostas ao questionário de avaliação de risco), e vigência desde 1º/09/2021 (art. 21), relidos no DOU em 19/10/2026 e, os arts. 12 a 15, em 20/10/2026 · Diário Oficial da União · 13 de agosto de 2021
  5. Base normativa (BNPortal), Circular SUSEP nº 639/2021: norma sem revogação, alterada só pela Circular SUSEP nº 682/2022, que revogou os arts. 18 e 19, e versão compilada de 04/01/2023 com os arts. 10 a 13 iguais aos do DOU (consulta em 19/10/2026) · SUSEP · 19 de outubro de 2026
  6. Seguro de Automóveis, perguntas e respostas: fatores do questionário de avaliação do risco e orientação de procurar o corretor ou a seguradora quando as respostas mudam (pergunta 6), exemplo de critério de indenização integral (pergunta 9), tipos de peça (pergunta 25) e oficinas (pergunta 27), página modificada em 13/12/2024 (consulta em 19/10/2026) · SUSEP · 13 de dezembro de 2024
  7. Lei nº 15.040, de 9 de dezembro de 2024: dever do segurado de comunicar à seguradora o agravamento relevante do risco assim que souber (art. 14) e entrada em vigor um ano após a publicação (art. 134; publicada no DOU de 10/12/2024), lida em 19/10/2026 · Presidência da República · 9 de dezembro de 2024

Veja também a página de Seguro Auto da MR2.