Chuva, granizo e alagamento no ES: o que o seguro da casa e o do carro podem cobrir nesta temporada
O Inmet emitiu aviso vermelho de chuva para 39 municípios do Espírito Santo em 3 de outubro de 2026. No país, só 0,68% das apólices de seguro residencial compreensivo tinham cobertura de alagamento em 2024, pela conta da MR2 com dados de estudo da SUSEP.
Categoria: Residencial · Por Equipe MR2 · Publicado em 2026-10-13

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, no sábado, 3 de outubro de 2026, um aviso vermelho, o nível de grande perigo, de acumulado de chuva para 39 municípios do Espírito Santo, entre eles Vila Velha, Viana, Guarapari, Cachoeiro de Itapemirim, Guaçuí e Mimoso do Sul. O aviso falava em chuva acima de 100 mm no dia e em risco de grandes alagamentos. No mesmo dia, um aviso amarelo de tempestade valia para os 78 municípios do estado.
Dois dias antes, Guaçuí, no Sul do estado, teve um temporal com vento e granizo.
Para quem tem seguro, a dúvida é o que a apólice paga se a água entrar em casa ou o granizo amassar o carro. O seguro da casa costuma pagar estrago de chuva só quando a apólice traz coberturas adicionais, como vendaval, alagamento e danos elétricos; no carro, o caminho costuma ser a cobertura compreensiva. O que cada uma inclui, e até que valor, está nas condições gerais da apólice.
E um estudo da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) mostra que a cobertura de alagamento ainda é rara no seguro residencial compreensivo: em 2024, estava em 0,68% das apólices do país, pela conta da MR2 a partir dos dados do estudo. Somada à cobertura de danos por água, chegava a 8,11%, na conta da própria SUSEP.
Os avisos do Inmet de setembro e outubro
Os avisos começaram bem antes de outubro. Em 15 dos 30 dias de setembro de 2026, havia pelo menos um aviso do Inmet de tempestade, chuvas intensas ou acumulado de chuva valendo para algum município capixaba. A conta é da MR2, a partir dos avisos publicados pelo Inmet, sem contar os que o próprio instituto cancelou.
Os principais avisos do período, todos do Inmet:
| Data | Aviso | Municípios do ES |
|---|---|---|
| 07/09/2026 | Amarelo (perigo potencial) de chuvas intensas: 20 a 30 mm por hora ou até 50 mm no dia, vento de 40 a 60 km/h | 78 |
| 14/09/2026 | Laranja (perigo) de tempestade: 30 a 60 mm por hora ou 50 a 100 mm no dia, vento de 60 a 100 km/h e granizo | 26, do Caparaó ao litoral sul, incluindo Guarapari |
| 01/10/2026 | Amarelo (perigo potencial) de tempestade, com possibilidade de granizo | 32, entre eles Guaçuí |
| 03/10/2026 | Laranja (perigo) de acumulado de chuva: 30 a 60 mm por hora ou 50 a 100 mm no dia | 64 |
| 03/10/2026 | Vermelho (grande perigo) de acumulado de chuva: acima de 60 mm por hora ou de 100 mm no dia | 39 |
Em Guaçuí, o temporal de 1º de outubro trouxe vento e granizo e passou em cerca de 20 minutos, a partir das 15h40, segundo a Defesa Civil, ouvida por A Gazeta no mesmo dia. Até a publicação da reportagem, o órgão não tinha registro de danos nem de pedidos de ajuda de famílias que precisaram sair de casa.
O que o seguro da casa pode cobrir
O seguro residencial tem uma cobertura básica, que é obrigatória, e coberturas adicionais, que o cliente escolhe. Pelo estudo da SUSEP, a básica costuma trazer incêndio, queda de raio e explosão. As demais entram como adicionais, e cada uma precisa estar escrita na apólice.
Entre as coberturas adicionais que a SUSEP lista como oferecidas no mercado brasileiro, quatro pesam mais na temporada de chuva:
- Vendaval, que no levantamento da SUSEP aparece no mesmo grupo de furacão, ciclone, tornado e granizo. Pode cobrir o telhado arrancado pelo vento ou as telhas quebradas pelo granizo, se estiver contratada.
- Alagamento e inundação, para a água que entra no imóvel. Pode cobrir piso, paredes e móveis atingidos, se estiver contratada.
- Danos por água, que a SUSEP aponta, junto com alagamento e inundação, como as duas coberturas ligadas diretamente ao estrago causado pela água. O que ela inclui muda de uma seguradora para outra: vale conferir nas condições gerais se a água de chuva entra ou se a cobertura trata só de vazamento dentro do imóvel.
- Danos elétricos, para aparelhos queimados por oscilação de energia ou descarga elétrica. A queda de raio costuma estar na básica, mas o aparelho queimado pela variação de energia depende desta adicional.
O nome de cada cobertura, o que ela inclui e o limite de indenização estão nas condições gerais da apólice, e mudam de uma seguradora para outra.
Alagamento: a cobertura que poucos contratam
O estudo citado é uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) da SUSEP sobre a cobertura de alagamento e inundação, na versão de 15 de julho de 2025, levada a consulta pública. Os dados foram pedidos diretamente às seguradoras e cobrem as apólices de seguro residencial compreensivo de 2022, 2023 e 2024, no Brasil todo. A coleta ficou só nesse tipo de seguro: o seguro habitacional, que acompanha o financiamento da casa própria, não entrou na conta.
| Ano | Grupo de vendaval e granizo | Alagamento e inundação | Alagamento ou danos por água, na conta da SUSEP |
|---|---|---|---|
| 2022 | 45,07% | 0,41% | 5,84% |
| 2023 | 48,17% | 0,57% | 6,68% |
| 2024 | 47,36% | 0,68% | 8,11% |
As duas primeiras colunas são conta da MR2 a partir da Tabela 4 do estudo: o número de apólices com cada cobertura, dividido pelo número de apólices com a cobertura básica, que a SUSEP usa como total. A última coluna é a Tabela 10 do próprio estudo, que soma as apólices das duas coberturas ligadas diretamente à água. No grupo de vendaval, o estudo junta furacão, ciclone, tornado, granizo, queda de aeronave, impacto de veículo e tremor de terra.
Em 2024, a cobertura de alagamento e inundação aparecia em 121.218 das 17.883.192 apólices com a cobertura básica, menos de 1 em cada 100. A fatia cresceu nos três anos, e a das duas coberturas de água somadas ficou abaixo de 10%, como registra o próprio estudo. Já o grupo de vendaval e granizo estava em quase metade das apólices.
No estudo, a equipe técnica da SUSEP comparou quatro caminhos, de não mudar nada a incluir alagamento e inundação na cobertura básica do seguro residencial, e apontou esta última como a alternativa preferida. O documento foi para consulta pública e não é norma. Até a data desta matéria, não foi localizada regra nova que tenha tornado a cobertura obrigatória. Então, o que vale é o que está escrito em cada apólice.
Alagamento não é risco distante no Espírito Santo. Em março de 2024, as chuvas no Sul do estado levaram o governo a decretar situação de emergência em 13 municípios, entre eles Mimoso do Sul, Alegre e Guaçuí, pelo Decreto 501-S, de 23 de março, segundo a Agência Brasil.
Quem mora perto de rio, de córrego ou em rua que costuma encher precisa olhar a apólice antes da chuva, e não depois. A cobertura de alagamento é escolhida à parte, e a maioria das apólices não tem.
Equipe MR2
O carro na chuva
No seguro do carro, os danos de chuva costumam depender da cobertura compreensiva, a que reúne mais coberturas no seguro auto. Alagamento, granizo e queda de árvore sobre o veículo costumam entrar nela, conforme as condições gerais de cada seguradora. Já a apólice só de roubo e furto, ou só de danos a terceiros, não inclui esses estragos.
Os nomes e as regras mudam de uma seguradora para outra, e cada pedido é analisado pelas condições gerais da apólice. Em orientação publicada em 2 de março de 2026, depois das chuvas em Minas Gerais, a SUSEP lembrou que seguros de automóvel, residencial e empresarial podem cobrir eventos climáticos, dependendo das coberturas contratadas. O primeiro passo, segundo a autarquia, é conferir na apólice o que foi contratado e, na dúvida, falar com a seguradora ou com o corretor.
Durante um aviso de tempestade, o próprio Inmet orienta a não estacionar perto de torres de transmissão e de placas de propaganda e a não se abrigar debaixo de árvores. Quando der para escolher, a vaga longe de árvore, de placa e de rua que costuma alagar evita o estrago e a dor de cabeça.
El Niño: mais chance de chuva abaixo da média, sem descartar temporal
Está em curso um episódio de El Niño, o aquecimento fora do normal das águas do Pacífico Equatorial. Segundo a Nota Técnica 002 da Defesa Civil estadual (Cepdec), de 23 de setembro de 2026, ele foi estabelecido em junho, com base em aviso da agência americana NOAA de 11 de junho, e as projeções da NOAA indicam que as condições de El Niño podem continuar até o segundo trimestre de 2027. Para o Espírito Santo, a nota junta esse cenário à seca que já estava instalada, à chuva abaixo da média e ao calor acima da média, o que pode manter a falta de água e favorecer incêndios em vegetação.
A mesma nota traz a previsão sazonal do CPTEC/INPE, do Inmet e da Funceme para setembro a novembro: mais chance de chuva abaixo da média e de temperatura acima da média no Espírito Santo. E avisa que isso não significa ausência de chuva nem impede eventos extremos, e que podem vir períodos secos longos intercalados com chuva intensa e localizada.
Em outras palavras, a chance maior de chuva abaixo da média na estação não elimina o risco de um temporal forte num dia só, como o aviso vermelho de 3 de outubro lembrou.
Antes e depois da chuva: o que fazer
Antes da chuva:
- Cadastre o CEP de casa no alerta gratuito da Defesa Civil por SMS, mandando o CEP para 40199.
- Confira na apólice da casa se há vendaval, alagamento e danos elétricos, e na do carro se a cobertura é compreensiva.
- Guarde fotos atuais da casa e dos aparelhos, com as notas fiscais, num lugar fora do imóvel, como a nuvem do celular.
- Com aviso de chuva forte, tire o carro de rua que costuma alagar e de baixo de árvores, placas e torres. Em casa, proteja os objetos de valor da água em sacos plásticos e, se der para fazer com segurança, desligue os aparelhos e o quadro geral de energia, como orienta o Inmet no aviso vermelho de 3 de outubro.
Depois do estrago, o passo a passo:
- Segurança primeiro. Em situação de risco, ligue para a Defesa Civil, no 199, ou para os Bombeiros, no 193. Se a água subir, desligue o quadro geral de energia, quando der para fazer isso com segurança.
- Registre antes de limpar. Faça fotos e vídeos de perto e de longe: a marca da água na parede, o telhado, o carro e os aparelhos. Anote a data e a hora.
- Avise a seguradora ou a corretora o quanto antes, com o número da apólice. É esse aviso que abre o processo de sinistro.
- Não descarte o que estragou antes de combinar com a seguradora. Se ela pedir vistoria, o item danificado ajuda a comprovar o prejuízo.
- Carro alagado: não tente ligar o motor. A água dentro do motor pode aumentar o estrago. Peça o guincho da assistência 24 horas, se o seu plano tiver.
- Guarde notas fiscais, orçamentos e o protocolo do aviso. São os papéis que a seguradora costuma pedir para analisar o pedido.
Perguntas frequentes
Quantas apólices de seguro residencial têm cobertura de alagamento no Brasil?
Menos de 1 em cada 100. Em 2024, a cobertura de alagamento e inundação estava em 0,68% das apólices de seguro residencial compreensivo do país (121.218 de 17.883.192), pela conta da MR2 a partir de estudo da SUSEP. Somada à cobertura de danos por água, chegava a 8,11%, na conta da própria SUSEP.
Granizo e vendaval entram no seguro da casa?
Podem entrar, se a apólice tiver a cobertura adicional de vendaval. No levantamento da SUSEP, ela aparece no mesmo grupo de furacão, ciclone, tornado e granizo. O nome, o que está incluído e o limite de indenização ficam nas condições gerais de cada seguradora.
Saiu aviso vermelho do Inmet: o que fazer com o carro e a casa antes da chuva?
Tire o carro de rua que costuma alagar e de baixo de árvores, placas e torres. Em casa, proteja os objetos de valor da água em sacos plásticos e, se der para fazer com segurança, desligue os aparelhos e o quadro geral de energia, como orienta o próprio Inmet. Guarde fotos atuais da casa fora do imóvel e confira na apólice o que está contratado.
Qual o telefone da Defesa Civil no Espírito Santo?
Em emergência, ligue 199 para a Defesa Civil e 193 para os Bombeiros, os números que o Inmet indica nos avisos de tempestade e de acumulado de chuva. Os alertas da Defesa Civil por SMS são gratuitos e chegam a quem manda o CEP para o número 40199, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Conclusão
A temporada de chuva no Espírito Santo pode ser irregular, com períodos secos e temporais localizados, pela leitura da Defesa Civil estadual. Para o seguro, a lição vale para qualquer cenário: o estrago só pode ser pago pela cobertura que já estava contratada no dia da chuva. Vale abrir a apólice agora, conferir vendaval, alagamento e danos elétricos na casa e a cobertura compreensiva no carro, e ajustar o que faltar antes do próximo aviso do Inmet.
Fontes
- Aviso de chuvas intensas nº 55634: perigo potencial (amarelo) para os 78 municípios do Espírito Santo, das 8h20 às 23h59, chuva de 20 a 30 mm por hora ou até 50 mm no dia e vento de 40 a 60 km/h (consulta em 9/10/2026) · Inmet · 7 de setembro de 2026
- Aviso de tempestade nº 55712: perigo (laranja) para 26 municípios do Sul, do Caparaó e do litoral sul do Espírito Santo, incluindo Guarapari, chuva de 30 a 60 mm por hora ou de 50 a 100 mm no dia, vento de 60 a 100 km/h e granizo (consulta em 9/10/2026) · Inmet · 14 de setembro de 2026
- Serviço de avisos no formato CAP: avisos com municípios do Espírito Santo e início entre 1º e 30 de setembro, números 55529 a 55878, lidos um a um para a conta dos dias com aviso, sem os avisos cancelados pelo Inmet; o endereço mostra só os avisos em vigor, e cada aviso antigo abre no mesmo endereço seguido de barra e do número, como avisos/rss/55634 (consulta em 9/10/2026) · Inmet · setembro de 2026
- Aviso de tempestade nº 55903: perigo potencial (amarelo) para 32 municípios do Espírito Santo, entre eles Guaçuí, com possibilidade de granizo (consulta em 9/10/2026) · Inmet · 1 de outubro de 2026
- Reportagem sobre o temporal com vento e granizo em Guaçuí, de Pedro Nunes: horário de início, cerca de 20 minutos de duração e nenhum registro de danos até a publicação, segundo a Defesa Civil · A Gazeta · 1 de outubro de 2026
- Aviso de acumulado de chuva nº 55937: grande perigo (vermelho) para 39 municípios do Espírito Santo, das 8h30 às 23h59, chuva acima de 60 mm por hora ou de 100 mm no dia, com as orientações do aviso, como desligar aparelhos e o quadro geral de energia e proteger os pertences da água em sacos plásticos (consulta em 9/10/2026 e, no formato CAP, em 12/10/2026) · Inmet · 3 de outubro de 2026
- Aviso de acumulado de chuva nº 55935: perigo (laranja) para 64 municípios do Espírito Santo, e aviso de tempestade nº 55933, perigo potencial (amarelo), para os 78 municípios (consulta em 9/10/2026) · Inmet · 3 de outubro de 2026
- Análise de Impacto Regulatório: Cobertura de Alagamento e Inundação: documento de consulta pública, Plano de Regulação 2025, com dados de apólices de seguro residencial compreensivo de 2022 a 2024 coletados pela SUSEP nas seguradoras (sumário executivo e tabelas 3, 4 e 10) · SUSEP · 15 de julho de 2025
- Susep orienta população após fortes chuvas em Minas Gerais · SUSEP · 2 de março de 2026
- Nota Técnica 002/2026, cenários de risco climático e preparação frente aos efeitos do El Niño no Espírito Santo, publicada no portal Alerta!: El Niño estabelecido em junho, projeções da NOAA até o segundo trimestre de 2027, seca, chuva e temperatura no estado e previsão sazonal de setembro a novembro (síntese e p. 3, 4 e 14) · Defesa Civil do Espírito Santo (Cepdec) · 23 de setembro de 2026
- Solicitar o recebimento de avisos e alertas de riscos de desastres e eventos adversos, da Defesa Civil: serviço gratuito, com cadastro pelo envio do CEP para o número 40199, página atualizada em 15 de dezembro de 2025 (consulta em 12/10/2026) · Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional
- Governo do Espírito Santo decreta situação de emergência após temporal, de Camila Boehm: Decreto 501-S e os 13 municípios do Sul do estado · Agência Brasil · 24 de março de 2024
Veja também a página de Seguro Residencial da MR2.